segunda-feira, 30 de maio de 2011

MInha cidade progrediu


Minha pequena São Paulo progrediu...

Feliz quem a viu no passado.
Pouco barulho, água limpa, sem poluição.
Não havia sequestro nem roubo.
Ninguém ainda pensava nesse tal de mensalão.
Diziam só que ela era chata.
E eu não sei mais, agora,
Se a chatice de outrora
Não era preferível
Que essa modernização.


Hoje tem grandes shoppings,
Motéis, baladas e boates.
Muita gente morrendo de enfartes,
Cocaína, maconha e crack.

Minha cidade cresceu...
Já tem TV colorida.
Cresceu e parece que esqueceu...
Deus.

Minha cidade progrediu...
Tem gente vendendo carnê
Sorteios pelas TVs.
Loterias por todos os lados.
Para que você sua sorte tente.
Tem hospitais para cães e gatos
Mas, bem poucos hospitais para gente.
Minha cidade progrediu,
Tem gente pedindo de mão estendida.
Condomínio de muitos andares,
Um verdadeiro tormento


Tem saidinha de Banco,
Ongs que ninguém precisa,
E em quase todo cruzamento
Tem menor limpando pára-brisa.

É... Gente boa.
Talvez eu esteja falando a toa
Minha cidade progrediu muito.
Progrediu e cresceu, até demais.
Que até os corruptos de hoje
Tão roubando muito mais.


Arthur Miranda (tutu)

domingo, 29 de maio de 2011

Saúde no ambiente da Guarapiranga


Tonico ! Ele chamou. O cachorrinho nem se moveu. Encantado, permaneceu sentado com as patas dianteiras cruzadas, diante daquela fileira de gente. Atrás das gentes, o mendigo e mais outro cão. Este é o Tinoco, são gêmeos. Não vou dar a mão pra vocês porque dentro do meu coração estou junto de todos, discursou.
Domingo ensolarado de total (bio)diversidade. Céu azul num cenário feérico.

Filhos cidadãos desta São Paulo, sensibilizados sobre a situação dos mananciais. Perfilados diante da Represa de Guarapiranga, às margens da Avenida Robert Kennedy, crianças, jovens e velhos. Um ato de amor natureza. Um protesto pela situação de degradação dos mananciais.

Multidão ‘total flex’. Alegria em participar. Tristeza em constatar.
Nascemos com 80% de água no corpo. Com 5 anos temos 70%. Depois dos 60 anos, temos 58%. Sem água, secamos e morremos como as folhas do outono.

Nosso planeta é coberto de 75% de água. Consta que só 1% é de beber.
Nesta imensa caixa d’água, que abastece mais de 4 milhões de habitantes, o céu espelhado na água, resplandece nas macrófitas (aguapés). Plantas estas que se alimentam de poluição e cobrem boa parte desta represa. O custo do tratamento da água que bebemos é altíssimo.

Do lado de lá, a avenida com seus carros velozes e acidentes atrozes. O asfalto seco e árvores que teimam em resistir ao monóxido de carbono. Pulmões catalisadores? Tonico e Tinoco não são militantes. Intuem que sem água ninguém vive.
Não jogar lixo nas ruas, não aceitar que o esgoto deságue na represa.
Por uma metrópole mais arejada. Por um caminhar, pedalar, e respirar melhor.
É o Abraço da Guarapiranga 2010.

Por: Suely Aparecida Schraner, que é ouvinte-internauta do CBN SP e do Conselho Gestor da UBS Veleiros/Sociedade Civil

PS: Hoje (29/05/2011) acontece a 6ª edição do abraço Guarapiranga 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Congonhas


Nos tempos da Panair.

Na primeira vez que fui a Congonhas, não foi para voar. Com sete anos, jamais imaginava que voaria algum dia, a não ser nos voos diários da imaginação... Tínhamos vindo a São Paulo, meu pai com seu Vauxhall à disposição, naquele tempo de raros carros particulares, e minhas tias aproveitaram para por os passeios em dia.
Vejo-me cruzando um caminho sob os eucaliptos - o Parque do Ibirapuera ainda não existia -na rota do então longínquo aeroporto. Lá chegados, revejo-me novamente: estou sobre um vermelho barranco, que a oeste desce para um bairro quase descampado, o Campo Belo. Hoje, não tão belo, e muito menos campo.
Atrás de mim, um muro esconde a pista, com murais em baixo relevo, belos painéis em cerâmica referentes à aviação, que jamais poderiam ser destruídos, como foram, anos atrás. Não havia a 23 de Maio, nem o estacionamento ajardinado, hoje sepultado por vários pisos de concreto.
Foram estas minhas primeiras impressões do velho aeroporto, e nem sonhava que tantas vezes voaria por ele, nem que um dia fosse morar vizinho, no Planalto Paulista, separado por pouco mais do que a futura Av. Bandeirantes.
Voei pela primeira vez em 1962, com um colega de editora, íamos à Porto Alegre, para checar uma cooperativa de desenhistas que estava lá se estabelecendo. Não lembro o avião, se seria ou não da Panair. Mas, com certeza, da segunda vez voltando ao sul para lá trabalhar, um velho DC-3 da Real Aerovias, com seu símbolo de bobo da corte.
Quando, em 77, mudamos para o Planalto Paulista, ficamos ainda mais íntimos de Congonhas. Se, por um lado os aviões incomodavam com seus motores, o aeroporto estava ali bem à mão, como o quintal de casa.
Dali partimos para nossas duas primeiras viagens à Europa; da segunda, vindos de Roma, ao descer em Congonhas, apanhamos o primeiro táxi que passou ao longo da ala internacional, um fusquinha, e nele amontoamos as malas. Nada de táxi especial, nenhuma frescura. Afinal, até em casa, só uns dez minutos.
Congonhas ainda era risonho e franco nessa época; era tradicional o hábito de seu cafezinho e o da praia paulista: subir ao terraço superior para ver as naves em ação. Nada que se compare ao burburinho de hoje. Faz algum tempo que não voamos, mas, quando fomos acompanhar até lá nosso filho a uma de suas aventuras ecológicas, fiquei pasmo. Multidões, filas imensas, os espaços irreconhecíveis.
Onde havia a bela escadaria metálica para o salão de bailes e retaurante, frias escadas rolantes, como num shopping. Na sala circular central, lembrava-me de um grande mapa na parede, com a rosa dos ventos. Ainda existe, mas é preciso procurar bem, meio oculto pelos balcões de uma loja.
Dos bailes do passado, como o famoso e escandaloso Carnaval do Arakan, restariam apenas lembranças, isto se eu tivesse ido a algum deles... Mea culpa: nunca fui; apenas certa vez ao baile de formatura de uma ex-parente.
Congonhas, um dos elos da crise de aeroportos que ensombrece a próxima Copa do Mundo, trazida para um país até agora sem a devida estrutura. E aguardando voos mais altos em vários setores...
Em 17/07/2007, um avião da TAM, voo JJ 3054, proveniente de Porto Alegre, não conseguiu frear e arremeteu pela pista, como um bólido. Atravessou o espaço sobre a 23 de Maio e explodiu contra um prédio da mesma companhia. Uma catástrofe ainda na memória de todos.
O ponto de onde ele saltou da pista, era o mesmo de minha primeira lembrança de Congonhas, o barranco vermelho com o desabitado Campo Belo como fundo. Coisas de um aeroporto engolido pela monstruosa cidade, que como Chronos, o Tempo, devora seus próprios filhos.

Por Luiz Saidenberg

domingo, 22 de maio de 2011

A decepção do "sonho americano"


Recém inaugurada, se não me engano, em 1947\49, a Sears Roebuck propagava as famosas calças “Rancheiro”, da Alpargatas, o famoso “jeans” que os americanos usavam (e usam) no dia-a-dia, como se fora um uniforme que transformava a juventude sem estilo definido como integrado na cultura norte americana. E eu não escapei dessa influência.

Na época, trabalhava com meus irmãos na distribuição de gêneros alimentícios, por atacado, principalmente aos feirantes, onde o único lucro compensador que tive foi conhecer minha companheira Myrtes, comigo há 62 anos.

Passávamos pela Av. Paulista, em direção a Praça Oswaldo Cruz, quando meu irmão Santo lembrou da NOVA loja que foi inaugurada, há pouco, ali no fim (ou começo) da Paulista, a Sears, tem de tudo lá, vamos dar uma olhada?

Lembrei que o anúncio no jornal “A Gazeta”, “berrava” uma propaganda da Sears, falando sobre a “nobre calça”. Vocês podem imaginar o que era ter uma calça Rancheiro naquela época? Menino, eu que era “vidrado” em tudo que fosse americano, (hoje, o vidro um pouco ofuscado, mas, ainda transparente), apesar de meu pai ser mussolinista e com muita influência sobre nós, seus filhos, pra mim o maior desejo era ir pra casa do meu tio, João Batista, que morava em Nova York. Ele era irmão mais novo de meu pai e mantinha correspondência constante conosco. Depois de muitos anos fiz a tão sonhada viagem, mas, tanto meu pai como meu tio João, já tinham falecidos. Mas, isso é outra história.

Entramos na loja... Um deslumbre! Meu irmão e eu fomos bem atendidos; oferecia desde um simples boné até o mais luxuoso conjunto de móveis, vestidos, casacos, eletrodomésticos, roupas pra homens, mulheres, crianças, brinquedos. Fiz, até um comentário com o Santo: - “Essa loja vai acabar com o Mapinn”. No roteiro, dei de cara com o jeans exposto. Não me lembro do preço, mas, me encantei com os “pantalones” (calça); compramos e me preparei pra vesti-la e me exibir na quermesse do São Vito. O primeiro e único jeans da turma. Que decepção! A maioria dos meus amigos, todos com calças sociais, num sábado à noite e o pior, os bolsos tão apertados que eu não conseguia por um lenço sequer num dos bolsos. Que é que os americanos viam naquela roupa? Pensei. Apertada nos canos, descômoda, azul que chamavam de “índigo”, sentia-me um papa-mosca dentro da indumentária. Mas, mantive a pose, minhas calças eram idênticas as dos cowboys, só não falei que era americana porque tinha na cintura o logo “Rancheiro”... Pequena decepção do “sonho americano”

Por Modesto Laruccia

sábado, 21 de maio de 2011

O Bixiga de todos


Parte I
Em 23 de junho de 1878, o jornal Província de São Paulo anunciava na sua primeira página: "Vendo, por propostas, todas as matas dos terrenos do Bexiga, pertencentes a A. J. L. Braga e Companhia". Estava dada a largada para o nascimento do bairro mais emblemático da capital: o Bixiga. Nessa época, a capital já experimentava o crescimento, com a chegada dos imigrantes; os italianos, que não toparam a aventura ingrata de colher café no interior, se interessaram pelos terrenos e aproveitaram os preços baixos - para lá, se mudaram em bando.
Por coincidência, a área era rodeada de Ruas estreitas com 60 palmos de largura e aclives, lembrando bem as pequenas aldeias da Itália. A maioria dos estabelecidos eram italianos calabreses, que logo perceberam, na nascente metrópole, a falta de mão de obra especializada. Lá foram eles: sapateiros, artesãos, padeiros, quitandeiros e tudo mais que um simples meio de sustento.
A partir de 1890, o bairro experimentou uma nova onda de crescimento, com chegada de mais imigrantes: portugueses, espanhóis e mais e mais italianos. Isso sem contar os negros, recém libertados. No início, era uma imensa torre de Babel, onde ninguém entendia ninguém, mas acabaram se acostumando uns com os outros e a coexistência foi pacífica.
Os primeiros registros referentes ao Bixiga são de 1559 e dão conta de uma grande fazenda chamada Sítio do Capão, cujo dono era o português Antônio Pinto (capão é uma porção de mato isolado no meio do campo). Décadas mais tarde, o local passou a se chamar Chácara das Jabuticabeiras, devido ao grande número de frutas existente nas imediações. Já na segunda década do século 18, o local pertencia a Antônio Bexiga. Ao que parece, o proprietário fora vítima da varíola; bexiga era o nome popular da doença e os enfermos eram conhecidos como bexiguentos.
Não foi todo mundo que gostou do Bixiga. É bom lembrar que o "e" da palavra Bixiga passou a "i" devido à boa fala popular. Em 1819, um viajante francês, chamado Saint Hilaire, percorreu grande parte do Brasil, inclusive São Paulo, depois publicando um livro a respeito. Nele escreveu que a única estalagem da cidade era a de um português, alcunhado de "Bexiga", e que era imunda. Fora, então, pernoitar na chácara Água Branca, em Pinheiros. Para muitos o Bixiga começa na Praça da Bandeira (que era conhecido no começo do século XX, como largo do Piques, devido às inundações, que dificultavam a passagem com o barro que se formava).
Quando você sobe o morro pela Rua Rocha estando lá em cima, de lá, você tem uma bela vista da cidade, da Avenida Nove de Julho, da Rua Paim, da Praça 14 Bis, do Vale do Anhangabaú e de outros rincões que sua vista alcança. Será esta a razão do Bixiga ser chamado de Bela Vista?

Parte II
O bixiga dos Italianos.
A Bela Vista mais conhecido com o Bixiga, foi o local escolhido por uma grande parte da colônia italiana. E faz muito tempo, Isso desde o tempo em que o Palmeiras ainda era Palestra Itália. E era depois de comer aquela bela macarronada, com porpeta e bracholas ia eles ouvir o jogo de seu querido time alvi verde. Depois do jogo com cadeiras na calçada, lá estavam às famílias de italianos e brasileiros e quem de outras nacionalidades estivessem, todos conversando animadamente, com o rádio ligado na Tupi ouvindo com som alto o programa festa na roça apresentado por Lulu Belencazzi considerado um Oriundi.

O Bixiga dos negros
A comunidade negra era volumosa no bixiga. Era o contraponto dos italianos em termos de futebol, a maioria era corinthiano. Quando jogava Palmeiras e Corinthians, era uma festa de vitrolas, cada uma tocando o hino de seus clubes. Era uma festa de xingamentos tudo na base da amizade. Tetsuno, pra cá e peidorreiros para lá. Depois do jogo sempre tinha alguém de cabeça inchada, e naqueles anos 1950, o Corinthians levava sempre vantagem ficando o periquito anos na fila das derrotas. Mas com toda essa rixa futebolística a convivência entre italianos e brasileiros era boa. A comunidade negra tinha como a maior bandeira do Bixiga o cordão do Vai Vai, que nos anos 1960, quando o carnaval foi oficializado, virou escola de samba e ganhou 12 títulos de carnavais. Escola de muitos amigos do peito, como a família Galvão. Do senhor Pedro Galvão. De seus filhos, Getulio, Mario e Bombeirinho. De Tobias, e muitos outros.
No Bixiga, dois clubes de futebol eram respeitados. O Boca Juniors, que por causa de uma cisão nasceu o Aristocrata Clube. Um magnífico clube com uma estrutura de fazer inveja. Era um clube que mostrava o desenvolvimento da raça negra. Vários doutores estavam sempre onde o clube ia jogar. Gente alegre e educada. Onde a batucada era o refrão que fazia todos gingar.
Eu mesmo testemunhei quando meu clube foi convidado a jogar no belo gramado que eles construíram no clube de campo, que o Aristocrata tinha na estrada de Parelheiros.
Quando você sobe o morro do Bixiga pela Rua Rocha esta lá em cima você tem uma bela vista da cidade, da Avenida Nove de Julho. E de outros rincões que sua vista alcança. Será que foi por isso que o Bixiga é chamado de bela vista?
Seja lá como for o Bixiga é um bairro que todos conhecem se não lá tiveram, pelo menos de ouvir falar, através do cinema ou da televisão, o Bixiga sempre esteve à vista de todos, graças a uma boa mídia que lhe foi dado. O bixiga sempre teve divulgadores. Era lá que Amacio Mazzaropi gostava de fazer seus filmes. O Corintiano, por exemplo, foi rodado lá. Muitos filmes mostravam ruelas e cortiços que o era uma coisa muito no inicio da década de 1950.
Foi lá que nasceu o Cantor Agostinho dos Santos. Mais precisamente na Rua Santo Antonio. Onde viveu até sua morte ocorrida a 11 de julho de 1973, devido a um acidente de avião nas proximidades do aeroporto de Orly, em Paris (França). Agostinho gostava de jogar futebol. Não jogava tão bem quanto cantava. Mas mesmo assim envergou as camisas do Boca Juniors e Aristocrata Clube.

Bixiga – o homem que mais o amou
Mas quem mais divulgou o Bixiga foi Armandinho Puglisi. Que muito cedo nos deixou. Armandinho amava o Bixiga como ninguém. Armandinho Puglisi foi o pioneiro do que hoje se chamam agentes culturais. Que nasceu como não podia deixar de ser, no mais significativo dos bairros culturais de São Paulo: o Bixiga. Descendente de italianos nasceu com ajuda de parteira em 1931, em casa na Rua dos Ingleses.
Cresceu, brincou, estudou, trabalhou, fez amigos, casou, sambou, agitou tudo sempre amando o bairro do Bixiga. Criou o Museu do Bixiga, reunindo peças do cotidiano da vida do bairro, e participou de todos os movimentos para elevar o nome do lugar, inclusive assíduo freqüentador do Bloco dos Esfarrapados e da Vai-Vai. Armandinho foi o que inventou em fazer um bolo do tamanho do ano de aniversario da cidade de São Paulo.

Por Mário Lopomo
Fonte: Mil Faces de São Paulo - Levino Ponciano - Editora: Fênix

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Abraço Guarapiranga 2011

Nossa querida amiga Suely é integrante do Conselho Gestor da UBS Veleiros e apóia este movimento. Nós apoiamos também.
Segundo Suely nos informou, o foco é chamar a atenção para o problema da água em São Paulo.
Ela conta com a presença de todos e divulgação por parte de todos nós.
Entrego-lhes, com meu carinho de sempre.
Muita paz!

http://www.mananciais.org.br/

6ª edição do Abraço Guarapiranga 2011 - 29 de maio de 2011
Abraço Guarapiranga 2011: Água de beber, lazer e viver!
Na sua sexta edição, no dia 29 de maio, o Abraço pretende chamar a atenção da população e do poder público para a importância da represa do Guarapiranga como fonte de água para 4 milhões de paulistanos.
O Abraço Guarapiranga é uma iniciativa da Rede de Olho nos Mananciais em parceria diversas organizações da sociedade civil e apoio do poder público. O evento acontece desde 2006 e vem se consolidando como uma importante oportunidade para a população de São Paulo expressar seu carinho com a centenária represa, e ao mesmo tempo seu inconformismo e protesto pela situação de degradação dos mananciais exigindo mudanças que garantam a preservação das fontes de água da cidade.
Participe, traga sua família e amigos.


PROGRAMAÇÃO
29 DE MAIO DE 2011
Parque da Barragem - Av. Atlântica, antiga Robert Kennedy, altura do n.1.200, esquina com João de Barros
9.30 Oficinas ambientais, Atividades culturais,Capoeira, plantio e distribuição de mudas
10,30 Passeio Ciclístico do Abraço à Guarapiranga
12:00 Abraço simbólico à Guarapiranga

Jardim Ângela
8:00 Caminhada das Paróquias da Região ao Parque Ecológico Guarapiranga
10.30 Celebração religiosa no Parque Ecológico Guarapiranga e plantio de mudas
12:00 Abraço simbólico à Guarapiranga

Solo Sagrado
10,30 Atividades ambientais
12:00 Abraço simbólico à Guarapiranga


Organizadores do Abraço 2011:
CDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo
Conselho Gestor UBS Veleiros
Espaço Formação assessoria e Documentação
Grupo de Escoteiros Almirante Tamandaré
Instituto Vitae Civilis
Movimento Garça Vermelha - MOGAVE
Movimento Eco-Estudantil
Paróquia São Francisco de Assis
Rede Agenda 21
Sociedade Santos Mártires
Solo Sagrado de Guarapiranga
Universidade de Santo Amaro - UNISA


Por Suely Aparecida Schraner

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Memórias elegantes


Sou do tempo em que os homens primavam pela elegância.
Vestiam fatiotas costuradas por alfaiates conhecedores dos mistérios da arte de bem coser, eram roupas de três partes, a saber: calça, colete e paletó.
As camisas eram procedentes de grandes camiseiros ou de camisarias famosas de Sampa. Sapatos de preferência de cromo alemão, meias Lupo ou Aço de cano longo.
Gravatas confeccionadas em seda italiana, abotoaduras para punhos duplos em ouro e bastantes elegantes.
Na minha juventude, o chapéu tinha sido abolido e só os mais radicais teimavam em usá-lo; eu mesmo não os usando, gostava de admirar quem os usasse.
Meu alfaiate era o Nelson, que morava e tinha seu ateliê na Bela Vista, lá na Rua João Passaláqua, hoje extinta, mercê das deformações arquiteturais sofridas pelo Bixiga, ali, ele e o pai cosiam as roupas dos Duques de Piu-Piu, com todo o carinho e afeto.
Minhas camisas eram compradas na Camisaria Tanhauser, que ficava na Avenida São João, bem em frente ao prédio dos Correios, precisamente na entrada do setor de telegramas, ou então, eram confeccionadas por dois camiseiros de mãos cheias, o Wander e o Bell, que tinham loja na Rua da Glória, quase esquina com a Rua Conselheiro Furtado.
Era com eles que eu encomendavas as camisas com golas morcego, punhos duplos com recortes e outras modernidades da época.
Bem, esta introdução foi só para que eu pudesse falar de uma figura “bixiguiniana”, a mais elegante que eu tive oportunidade de conhecer por aquelas bandas.
Eu estou falando do Bano ou Urbano, figura alta e magra, sempre elegantemente vestida, que andava pela Rua 13 de Maio e adjacências, exalando finos perfumes... E esparramando elegância.
Nas noites mais frias, usava, por cima do terno impecavelmente passado, um sobretudo de lã de carneiro, um cachecol branco de seda e um chapéu Ramenzzoni, sempre em consonância de tom com o terno em uso.
Assim trajado, o velho Bano, por volta das 21:00 h passava pelo Bar e Bilhares Rex, da Rua Manoel e Dutra, tomava um conhaque, dizia algumas brincadeiras com o frequentadores e se despedindo de todos, dizia sorrindo com o canto da boca: “Amigos, o velho Bano vai à caça. Boa Noite”; descia os degraus do bar e sumia na noite que, às vezes, não era tão elegante como ele.
Bom era poder usufruir de tanta elegância.

Por Miguel Chammas

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os piqueniques de minha família


Outro dia eu estava pensando e cheguei à conclusão que minha família era chegada num piquenique. Os primeiros que eu tenho lembrança foram os no bairro do Pacaembu, que já relatei em uma outra história. Depois, vieram os da Represa Guarapiranga na Pascoela (um dia depois da Páscoa, família italiana sabe como é, né?...); depois, veio um que jamais esqueceremos: foi na Praia das Vacas, que fica no fim de um caminho que se abre depois da Ponte Pênsil, em São Vicente.

Tinha o meu tio Aldo, que era muito chegado nessas coisas e era quem providenciava tudo e porque também era o mais abastado da família. Então, ele alugou alguns daqueles táxis grandes, que faziam ponto em frente ao cine Santa Helena, na Praça da Sé, para levar o pessoal (porque, naquele tempo, ninguém tinha carro, só o meu tio), e foi um caminhão, da loja do meu pai, levando as tralhas. Era o feriado que agora já não tem mais, de 8 de Dezembro.

A praia era totalmente deserta... Então, as mulheres e crianças dormiam na carroceria do caminhão e os homens esticavam uma lona a partir da carroceria e dormiam em colchões (sim, colchões), no chão de areia. As necessidades eram todas feitas no mato. A comida era feita numa espiriteira, muito macarrão, que era mais fácil de cozinhar. As mulheres lavavam a louça na bica e os banhos também eram tomados lá.

Foram três dias maravilhosos para mim e meus primos que éramos crianças. Acredito que para os adultos, principalmente as mulheres, não tenha sido muito bom. Alguém filmou este momento e assistimos muitas vezes ao vídeo. Tempos bons em que às famílias se divertiam juntas. Que saudade!

Por Lourdes Cecilia Bove Ciavata

terça-feira, 17 de maio de 2011

Coisas que gosto de fazer em SãoPaulo -parte IV


Depois de falar sobre o Mercadão e sobre os meus bares e restaurantes prediletos, preciso falar sobre arte e cultura, afinal, nenhuma outra cidade deste país reúne tantos lugares onde se pode apreciar e vivenciar praticamente todas as manifestações culturais quanto nossa amada cidade.
Embora praticamente tenham desaparecido os cinemas “de rua” na cidade, com suas salas enormes e luxuosamente decoradas, ainda podemos contar com a enorme rede de cinemas dos shopping centers, onde podemos assistir a praticamente todos os melhores filmes lançados recentemente. Antigamente os filmes eram lançados no exterior e só depois de alguns anos chegavam ao Brasil, mas, agora, os lançamentos são quase que simultâneos. Assim, para os que gostam de cinema, é possível manter-se em dia com o que há de mais novo em se tratando da sétima arte.
Em termos de teatros, não ouso dizer que tenhamos uma extensa rede de casas apropriadas, mas posso afirmar que temos muitas, entre as melhores existentes no país ou mesmo em toda a América Latina. Existem outras cidades no mundo, excluindo, claro, Nova Iorque, Londres, Paris e algumas outras consideradas “grandes”, que têm muito mais casas teatrais do que São Paulo, mas, no Brasil, apenas a cidade do Rio de Janeiro rivaliza com nossa capital nesse quesito. E em São Paulo, cada vez mais, podemos escolher sem receio de errar, as melhores peças em cartaz, inclusive alguns dos grandes musicais que fazem enorme sucesso em Nova Iorque e em Londres, com produções elogiadíssimas, até mesmo pelos produtores estrangeiros.
Além dos teatros, existem muitos espaços culturais, menores e mais intimistas, oferecendo uma vasta lista de shows, apresentações e outras manifestações teatrais, para todos os gostos. Nos últimos anos está crescendo, no país, a apresentação de comediantes com seus espetáculos solo. E, claro, a grande maioria deles se apresenta em São Paulo.
Música erudita ainda não é muito difundida no país e, do jeito que a música de um modo geral tem sido tratada nos últimos tempos, não sei se um dia ainda cairá no gosto do público. Existem os heróis que batalham incansavelmente nesse sentido, mas com poucos resultados. Mas, ainda existem pessoas que, como eu, sabem apreciar um bom concerto, balé ou ópera. Embora tenhamos no país alguns teatros capazes de apresentações impecáveis de grandes orquestras ou companhias de dança e de ópera, a maioria das exibições acaba acontecendo mesmo no Rio e em São Paulo.
Em São Paulo, na antiga estação Júlio Prestes, a Sala São Paulo tem uma das melhores acústicas da América Latina e assistir a um concerto lá nos aproxima do paraíso. Já assistir um concerto, um balé ou uma ópera no Teatro Municipal, pode fazer com que nos sintamos no Ópera de Paris.
Gosto também de fazer um passeio cultural pela Avenida Tiradentes, que tem o Museu de Arte Sacra e a Pinacoteca. O primeiro, com seu acervo magnífico, nos enchem os olhos e o coração e o segundo, com suas exposições temporárias e o acervo riquíssimo, sempre nos acrescenta, além do prazer e do conhecimento, o orgulho de os termos em nossa cidade.
Aproveitando a oportunidade, se der tempo, não deixar de conhecer o Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios, na Rua da Cantareira. Pertinho do Metrô Tiradentes. Se não der tempo, programar uma visita em outro dia, pois vale a pena, tanto pelo prédio, fundado em 1873, quanto pelas exposições.
Ainda falando em museus, não posso deixar de mencionar o Museu do Ipiranga, com seu rico acervo e com seus jardins, que nos transportam para o Jardim de Luxemburgo, em Paris. Bem mais moderno, mas considerado o melhor da América Latina, é imperdível uma visita ao Masp, na Avenida Paulista, com suas exposições e seu acervo digno dos melhores museus do mundo.
Ainda no circuito dos museus, sempre vale a pena fazer um gostoso passeio pelo belíssimo Parque do Ibirapuera e aproveitar para conferir as obras de arte do MAM - Museu de Arte Moderna. Aproveitando o pique, dar uma conferida também nas obras do MAC - Museu de Arte Contemporânea, que fica dentro da USP. E não deixar de dar uma passadinha no Museu Lasar Segall, sediado na própria casa onde viveu o artista até 1932, ano de sua morte. Ele fica na Rua Berta, onde estão algumas das primeiras construções modernistas do país.

Por Zeca Paes Guedes

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sábado de Aleluia


1957 – Dias antes da Semana Santa, velhas ceroulas eram recheadas com as rebarbas de madeira e serragem, que o “signore” Gino – o Barês, trazia de lá da serraria. Uma velha fronha era transformada em uma cabeça recheada e pintada com um rosto horrendo e era costurada ao corpo “ceroulal”. Depois ele era vestido com roupas velhas, doadas pelos vizinhos. Prontinho... O Judas ficava à espera da sua punição.
Na nossa rua três eram os Judas: Para as crianças, os adolescentes e os adultos. Eles ficavam guardados na casa do Seu Gino.
Na quinta-feira santa, o jejum rigoroso para os adultos e frugal para as crianças. Ouvia-se o rádio e TV em volume baixo. Crianças podiam brincar sem muita algazarra e sem palavrões. Adultos evitavam a maledicência...
Ah! A Última Ceia. Judas vendera Jesus por 30 dinheiros... Ah! Judas! Você não sabe o que te espera!
Na sexta-feira santa, a Mooca virava Jerusalém. Consternada, vagava pelo Monte das Oliveiras, caminhava pela “Via Crucis” e, transtornada, deixou-se ficar no Calvário, testemunhando a agonia de Cristo... “Consumatum est”. Nada mais a fazer. Restou apenas levar o “Bom Rabi” até a sua última morada... “Miserere nobis”... “Agnus Dei quid tollit peccata mundi”. Segue a procissão. Em seu andor, surge a Addoloratta, provocando o choro e os lamentos dos calabreses. “Ben’detta vui, Regina Celeste, matre dee calabres”! (Bendita sois vós, Rainha Celestial, mãe dos calabreses).
Uma sexta-feira cansativa, tensa e dramática. A Mooca-Jerusalém, aos poucos vai apagando as suas luzes e adormece.
Sábado de Aleluia. Manhã cedinho, os três Judas estavam pendurados nos postes. As crianças vociferavam, diziam palavrões e cuspiam nos Judas, “mostrando a ele” os pedaços de pau, cabos de vassouras. Gritávamos “Attendi pezze ‘e merda! Chista la pagherai colla vita”! (Aguarde pedaço de merda! Pelo que fizeste, pagarás com a vida!).
Crianças, adolescentes e adultos transformaram a rua em uma praça de guerra. Crianças abaixavam os calções e urinavam nos postes, onde estavam os Judas. Os adolescentes partiam em busca de “cacca” de cachorro (e humana também) e voltavam atirando tudo contra os Judas. Os adultos jovens e velhos escarravam sobre “u venditor’ di Cristo” (o vendedor de Cristo) e nos incitavam até a loucura.
Os apitos das fábricas anunciavam o meio-dia. Todos nós corríamos para as nossas casas, para lavar os olhos e nos livrarmos da “cegueira do paganismo”. E abrirmos os olhos para a luz. Rápido, voltávamos à rua. Nesse meio-tempo, o Gino Baresi embebia os Judas em álcool.
Um fósforo dava início a malhação!
Corre corre, em direção aos Judas em chamas! Xingamentos, pauladas. Os Judas soltam-se da corda que os atavam ao poste e caem ao chão. Em chamas, eles são massacrados à pauladas.
No desvario da vingança, pauladas daqui, pauladas dali. Um cocuruto é atingido e o atingido revida. O foco do ataque muda e a coisa degenera. Um pé na bunda, um soco na cara e mordidas (coisa típica dos napolitanos), pois brigar é morder também. E os Judas incendiados, desmembrados viravam cinza, alheios à pancadaria.
Final da história, cabeças quebradas, pés torcidos, olhos roxos, queimaduras e choradeiras de dor. E mães discutindo feio, umas com as outras, por causa dos filhos.
Nessa guerra, ganhei uma mordida no braço, fiquei com duas unhas pretas, pois, pisaram-me a mão, e um joelho torcido. Perdi meu canino de leite que deixei encravado no braço de alguém.
Azares da guerra. Ano que vem, tem mais. Aí, eu me vingo!

Por Wilson Natale

domingo, 15 de maio de 2011

Paulicéia Italiana


Olá,amigos!
Recebemos o texto abaixo de nosso amigo Laer Passerini, que enviou a todos vocês também.
Consideramos bem interessante este trabalho de pesquisa e as informações preciosas nela contidas. Por isso, vale deixar registrado também aqui, em nosso blog, que traz as diversas memórias de Sampa.
Entrego-lhes,com meu carinho de sempre.
Muita paz!

Obras pela cidade contam um pouco da relação entre o Brasil e a Itália

Réplica de Davi, de Michelangelo, no Tatuapé, fonte à la Roma, na Vila Nova Conceição, e um presente de Mussolini na Guarapiranga.
Essas obras que remetem à história e à arte italianas ganham uma companhia "futurista" no Ano da Itália no Brasil. O casarão da década de 20 em estilo neoclássico na avenida Higienópolis, que por muitos anos abrigou o consulado da Itália, passará por obras de restauração, ampliação e modernização.
No local, hoje está o Istituto Italiano di Cultura, que contará com restaurante, teatro, duas galerias e centro multimídia de informações.
O projeto é do italiano Massimiliano Fuksas, um dos principais nomes da arquitetura contemporânea, responsável pela fábrica da Ferrari, na Itália, e pelo Centro da Paz, em Israel.
A fachada do casarão será mantida, e o anexo futurista ficará nos fundos.
A previsão é que as obras comecem em outubro, quando tem início oficialmente o Ano da Itália no Brasil - que vai até junho de 2012 -, e terminem em até dois anos.

FONTE MILÃO
A praça Cidade de Milão, ao lado do Ibirapuera, foi inaugurada em 1962, com a presença do prefeito daquela cidade. Réplicas das esculturas de Michelangelo para o túmulo dos Médici estão na área -mas, ao contr ário das originais, têm os órgãos sexuais masculinos cobertos por folhas.

HERÓIS DA TRAVESSIA
Monumento foi feito para homenagear pilotos de hidroavião que voaram da Itália ao Brasil, nos anos 1920, e pousaram na represa Guarapiranga. Mussolini enviou uma coluna para a obra, retirada de construção milenar então recém-descoberta em Roma.

FESTAS ITALIANAS TRADICIONAIS (*)

FESTA DE CASALUCE
Até o dia 29, às 18h R. Caetano Pinto, Brás Tel.: 3209-6051. Grátis (**)
FESTA DE SÃO VITO
Até 3.jul; sáb., às 20h, dom., às 19h R. Polignano A’ Mare, 255, Brás Tel.: 3227-8234. R$ 4 (**)
FESTA DE RUA DE S. VITO
Até 19.jun, às 18h R. Polignano A’ Mare, 51, Brás Tel.: 3228-8144. Grátis (**)
FESTA DA ACHIROPITA
De 6.ago a 4.set; sáb., às 18h, dom., às 17h30 Arredores da rua 13 de Maio, Bela Vista Tel.: 3106-7235. Grátis (**)
SAN GENARO
Quando: De 10.set a 09.out R. San Gennaro e Rua Lins, na Mooca Tel.: 3207-1049. Grátis (**)

(*) Além de barracas, as festas têm cantinas, nas quais é preciso fazer reserva. As festas são aos sáb. e dom.; (**) Valor para ter acesso às barracas

Por Laer Passerini

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Poltergeist à paulistana


Não é uma história agradável para se contar. Ao menos para mim, que conhecia um de seus protagonistas, o dono da casa. Era uma pessoa honesta e séria, além de descrente em fenômenos sobrenaturais. Por isso, confio cegamente em seu relato.

Meu amigo vivia com uma mulher desquitada, para mim bastante desagradável e autoritária, e na união vieram, como dote, os três filhos dela. Não sei por que ele assumiu tal situação, por culpa, ou por ter perdido a mãe pouco antes; assim, estava muito vulnerável.

De qualquer forma, era trabalhador e muito dedicado àquela família, mas, sentia-se no ar que algo vivia errado.
A infelicidade condensava-se ali, em camadas espessas, como o fog londrino, ou as emanações pútridas em redor da Mansão de Usher, de Allan Poe.

Parecia que bastaria uma fagulha para fazer aquela instabilidade toda explodir. Então, o que aconteceu a seguir não foi acaso, é a minha impressão.

Esse fator detonante surgiu na pessoa de uma jovem vizinha de 14 anos, rústica, mas bonita, que foi contratada como empregada. Pelo início deste parágrafo vocês talvez tenham a impressão de que um romance iria acontecer, mas o que se deu foi uma história estranha, mais ligada a contos de terror.

A casa, no Bosque da Saúde, quando ele a comprou, era bastante simples, num final de rua, com aclive acentuado. Reformada, até que
ficou imponente. E iam ali vivendo... Mal.

Os fenômenos começaram numa tarde, quando a eletricidade acabou, repentinamente. Verificaram-se os fusíveis externos, e haviam desaparecido. Como e por quê? Uma das crianças colocou mais um fator complicador na jogada: disse ter visto um negrinho esgueirando-se pelo quintal.

A furiosa dona de casa não deixou por menos. Chegada a medidas arbitrárias, chamou a polícia para investigar a casa de uns pobres e honestos pretos, os únicos que moravam por perto. E nada se descobriu. A casa entrou em convulsões: vasos caíam, pedras vindas do nada zuniam no ar, chegando a quebrar vidros. A fúria invisível era voltada principalmente contra os vasos. Chegaram a se fazer plantões numa rua mais elevada, donde se tinha visão total da cena do crime. E não se via ninguém, muito menos moleques pretinhos; só a correria dos habitantes, quando sucedia mais uma quebra.

Foram conclamados espiritualistas, de várias correntes. Médiuns espíritas, umbandistas, videntes. Cada um contava uma história diferente, segundo seu credo, tornando impossível acreditar em qualquer uma delas.

Mas, uma coisa tornou-se evidente: os fenômenos só aconteciam quando a empregada estava presente, ou seja, de dia. Noites e fins de semana, sem ela, eram uma tranquilidade absoluta.Um policial sugeriu que a prendessem, para interrogatório. Como era jovem e bonita, nos tempos brutais da ditadura, pode-se imaginar de que forma pretendia interrogá-la.

Meu amigo fez o bom senso prevalecer, impedindo isto. Ela foi apenas
demitida e tudo voltou ao normal. É bem coerente com outras histórias
de poltergeist, onde um adolescente sempre parece ser o deflagrador do
processo.

E meu amigo, como ficou nisso tudo? Extremamente racional, era-lhe difícil admitir forças do sobrenatural. Chegou à imprecisa conclusão de que não se tratavam de espíritos do além, mas de energias daqui mesmo, inteiramente desconhecidas.
Algum tempo depois, afastou-se daquela difícil família, com o profundo sentimento que já ia tarde.

Por estes e outros fatores, jamais voltaria a ser o mesmo. Mas, a casa ainda existe e não ouvi nunca mais falar de fenômenos sobrenaturais,por ali. Aliás, nunca mais ouvi falar deste pessoal.
Mas, nunca se sabe...

Por Luiz Saidenberg

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Em São Paulo, um palacete que virou palácio


Corria o ano de 1882. São Paulo já absorvia os avanços tecnológicos originários da Europa. Numa época em que a matéria prima usada nas edificações das casas se resumia à taipa, tijolos, ferragens grosseiras e mal acabadas, esse avanço representava mais um passo para o crescimento da cidade.
Com efeito: novos bairros nem bem se formavam totalmente e suntuosos palacetes já surgiam. É que a camada mais rica da sociedade paulistana tinha facilidade para importar da Europa grande parte do material que serviria para construir suas mansões. Deixava para trás o Centro Velho em que habitava e mudava-se para a chamada "ala nobre" ou "bairro dos cafeicultores", tão logo terminadas as obras. Elias Antonio Pacheco Chaves era um desses ricaços. Sua mansão, localizada no bairro dos Campos Elíseos, demorou quase uma década (de 1890 a 1899) para ser totalmente construída.
Conhecido como pessoa de importância fundamental na economia de São Paulo, pois além de cunhado do Conselheiro Antonio Prado (político e cafeicultor), era também, seu sócio na Cia. Prado Chaves, empresa que liderava a exportação do café e o setor imobiliário. Extremamente sofisticado, Elias Chaves viajava com frequência para a Europa. Com seu cunhado Antonio Prado e sua sogra, Dona Veridiana, visitava famosos antiquários e vários castelos franceses, dentre os quais, o Castelo de Écouen, em estilo renascentista, datado dos anos de 1500. Nele, espelhou o projeto de seu palacete elaborado pelo arquiteto alemão Matheus Heusller, que vivia no Brasil há alguns anos. Inspirado nas informações recebidas e no seu próprio conhecimento, fez o projeto na Europa a fim de entregá-lo de acordo com os moldes do Castelo de Écouen. Voltando ao Brasil, o arquiteto trouxe lustres de cristal Bacará, maçanetas de porcelana de Sèvres e vitrais franceses. A decoração interna do palacete veio da Itália: espelhos do mais puro cristal veneziano e vários elementos de terracota coloridos. Dos Estados Unidos vieram todas as ferragens de bronze que foram utilizadas nas portas e janelas de carvalho francês. O telhado, puro pinho de Riga, foi coberto por telhas de ardósia importada. João Grundt, outro alemão que aqui trabalhava como mestre na construção do Viaduto do Chá, foi escolhido para executar a obra que, por motivos desconhecidos, ficou paralisada durante alguns anos.
Após esse tempo, os trabalhos foram definitivamente retomados, desta vez, sob a direção do engenheiro Herman Von Puttkamer, também natural da Alemanha e do decorador Cláudio Rossi.
Uma vez concluída, a mansão passou a ser chamada de "Palacete Elias Chaves". Talvez porque seus portões e vitrais das portas e janelas continham as iniciais "EC". Detalhe que ganhou relevância quando, oito anos após a morte de Elias Chaves, em 1907, sua família transferiu a propriedade (que fora registrada no nome da Cia. Prado Chaves) para o governo do Estado.
O que era pormenor passou a ser problema, já que as iniciais, de bronze maciço, incrustadas nos portões e gravadas nos vitrais, não poderiam ser retiradas sem lhes causar irreparáveis danos. O dilema perdurou até que foi encontrada uma solução perfeita: providencialmente, alguém notou que quando os portões se fechavam, as iniciais se entrelaçavam de tal sorte que tanto poderia sugerir "EC", quanto "CE". O mesmo acontecia quando se observavam os vitrais. Assim é que o Palacete Elias Chaves é conhecido até hoje, como Palácio dos Campos Elíseos.

Por: Miriam Panighel Carvalho

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Treme Treme, tremeu e caiu



Na sexta-feira passada, 29\04\11, resolvemos eu e minha mulher, Myrtes, dar um passeio e comprar algumas coisas no Mercado Municipal da Cantareira. Estacionamos o carro na Rua Assumpção e fizemos o “pequeno” (2 km, se tanto) trajeto até lá. Digo “pequeno” por considerar a época que eu morava na Gasômetro, 25 anos, recém-casado, ia às compras com duas sacolas. Agora, com quase 80 anos e a Myrtes, 76, essa distância triplicou.

Indo pela Rua Polignano a Mare, antiga Álvares de Azevedo, primeira surpresa, triste, mas, compreensível, derrubaram o antigo prédio da Metalúrgica Santa Rosa, o famoso “parafuso”, que nos últimos anos servia de estacionamento e cuja parede, no nosso futebol de rua, servia de tabela e que o Rafael Chiarela (famoso palmeirense que brilhou no Corinthians, rrrrrr) “usava” pra dar seus dribles, hoje alcunhados de “drible da vaca”. É verdade que o “paredão” ajudava muito; chamemos, então, de “drible da vaca, com o boi”. Passamos, então pela igreja São Vito, com os preparativos das festas no próximo mês de junho.

Entramos na rua Santa Rosa, aí sim, uma boa surpresa. Os antigos armazéns de cereais por atacado, se transformaram em grandes empórios, com sortimentos bem variados, desde um simples pacote de feijão até o mais sofisticado queijo importado, frios das melhores marcas nacionais e internacionais, castanhas, nozes, avelãs, ervas de todos os tipos, bebidas, licores, frutas, enfim, antes de chegar ao mercadão, já tinha uma amostra do que ia encontrar lá.

Cortamos pela Rua Carlos Garcia e nossa outra surpresa: a demolição do edifício São Vito, o famoso “treme-treme”, cuja lendária fama adquirida, se deve unicamente ao descaso das autoridades municipais. Sua derrubada já estava no fim. Senti certa nostalgia, uma pequena revolta, pois, acompanhei sua construção, nos fins dos anos 40\50 e o prédio pertencia ao Matarazzo, que tinha no último andar a sede da Atlética Matarazzo, onde eram distribuídos os brinquedos aos familiares dos funcionários, como eu. No jornal de ontem, 04\05\11, saiu uma reportagem contando que os destroços da demolição já estavam sendo ocupados por viciados em “crak” e pelos moradores de ruas, na sua miséria e abandono, encontrando lá, mesmo nas ruínas, um alento pra suas desventuras, como se despedindo de um edifício que nunca teve o amparo e o cuidado que merecia. Separado apenas pelo malcheiroso Tamanduateí do mercadão, só teve como habitantes, pobres e famintos. Ironia ou não, esta foi a derrocada do outrora formoso edifício São Vito, cujo destino se assemelha ao santo que lhe empresta o nome, morreu mutilado pelo próprio pai. É muito triste.

Entramos no mercado. Subimos ao mezanino e saboreamos bolinhos de bacalhau, pastéis de palmito e refrigerantes. Nosso principal objetivo era encontrar favas pra Myrtes fazer o “feffe-i-foguie” (favas e folhas), iguaria de origem polignanesa, (de Polignano-a-mare, província de Bari, nas Puglias, sul da Itália). Para os que conhecem o idioma italiano, não há necessidade de se explicar que os termos que levam ”GN” equivalem ao nosso “NH” e os que levam “GL” equivalem ao “LH”.

Atravessamos o mercado de ponta a ponta, saímos e fomos até a antiga Rua Pagé, visitar um antigo amigo, fabricante de produtos sírios e libaneses. O Alcebíade Nasser, filho do meu prezado amigo Basílio Nasser, falecido já, há muitos anos. O Basílio fabricava os melhores doces e confeitos sírios e libaneses, com a pequena indústria instalada na rua Polignano-a-Mare. Após seu falecimento, o filho fechou a fábrica e abriu apenas o comércio que visitei. Comemos e compramos alguns doces sírios, despendi mo-nos e entramos, novamente no mercadão. Fomos direto ao Empório Chiapetta, em homenagem ao nosso ilustre companheiro falecido recentemente. A moça que nos atendeu, parente distante do Domingos, tinha as famosas favas, de origem libanesa. Compramos e voltamos pra casa. Domingo próximo, 08\05\11, Dia das Mães, a quem envio meus cumprimentos, a “Fefe-i-fóguie” está garantida, na casa de meu filho, Marcello, na Aldeia da Serra. Um abraço a todos e as mães, meus sinceros parabéns.

Por Modesto Laruccia