sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Tragédia do Cine Oberdan


E aí, o Facebook me fez lembrar do Cine Oberdan da minha infância.

O prédio ainda está lá na Rua Ministro Firmino Whitaker esquina com a rua Sayão Lobato, onde hoje está a matriz das lojas Zelo.

Uma bela construção que já foi teatro de luxo. Escadarias de mármore, fachada imponente, plateia, com frisas e camarotes, balcão também com camarotes e a galeria. Lá se apresentavam grandes companhias de teatro do início do século XX. Isto tudo quem me contava era meu pai amante do teatro e da ópera. Apenas para lembrar, havia também o Teatro Colombo, que ficava no Largo da Concórdia, por onde passaram também os grandes do teatro brasileiro e foi lá a última apresentação de Francisco Alves.

Bem, voltando ao Cine Oberdan. Numa matinê de domingo, o cinema cheio de crianças e o filme era “Criminosos do Ar”. Em dado momento, numa cena de desastre ou algo parecido, alguma criança na plateia gritou “Fogo!” e isso foi o suficiente para que começasse a correria para fugir da sala enorme e lotada.

Naquela época, não se pensava muito em segurança e as saídas não eram suficientemente largas para que a criançada escapasse daquela armadilha, correndo desesperada e em pânico. Conclusão: muitas caíram atropeladas na correria, outras se jogavam escada abaixo tentando escapar do “fogo”, muitas morreram; foram trinta crianças e apenas uma mulher que, para proteger a filha com o corpo, morreu. Era um bebê que sobreviveu.

E o Cine Oberdan também sobreviveu e depois da tragédia e do luto, reabriu e ficou em atividade até o início dos anos 1960. Não era cinema de nenhuma rede, portanto, os filmes que passavam lá, já tinham passado em outros cinemas há muito tempo, mas tinha algo que os outros do bairro não tinham: a fita em série. E eu me lembro muito bem de O Falcão do Deserto cujo último capítulo eu não assisti.

Para mim, isso foi uma tragédia.


Por Teresa Fiore

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Uma tarde no Tatuapé

Imagem: Largo Nossa Senhora do Bom Parto - Tatuapé

Alguns dias atrás fui levar minha mulher na cabeleireira (“Hair Stylist”, que é mais “chique”), que fica no Tatuapé.  Para mim, que moro no Butantã, foi uma viagem de turismo.
Deixei-a lá e perguntei em quantas horas deveria voltar para buscá-la.
 – Umas 2 horas, respondeu. 
Como a percepção masculina e feminina de tempo são naturalmente diferentes, calculei que em 3 horas ela estaria pronta.
Saí então, a pé, pelas redondezas da Euclides Pacheco. Auxiliado pelo “Google Maps” descobri que a umas 6 ou 7 quadras dali havia uma pracinha (o Largo N. Sra. do Bom Parto) onde poderia sentar e terminar de ler “A Amiga Genial”.
E lá fui eu, curtindo a tranquilidade (quase) interiorana da Rua da Saudade, da Guatacaba, da Dona Cândida, até chegar ao Largo. Só essa denominação, “Largo”, já dá idéia de um lugar aprazível, diferente de “Praça”, que remete a comércio, agitação, correria...
Dei uma volta, passando por uma EMEI, com a típica gritaria da criançada que saia para algum passeio de ônibus, quando fui atraído pelo cheirinho de pêssegos, abacaxis e mangas, que exalava de uma multicolorida banca de frutas, ao lado, que perfumava até a calçada.
Pedi um suco de graviola e fui sentar mais adiante, sob as enormes árvores, aonde já se encontravam vários “colegas” da 3ª. idade, aproveitando a sombra naquela tarde ensolarada e calorosa para “compadrear” e jogar damas e dominó.
Mal tinha tomado meu suco (e jogado o copinho numa das várias lixeiras, pois o Largo é bem limpo e cuidado) e retomado a leitura, quando ouvi, atrás de mim, uma conversa entre dois ou três “parceiros”:  um deles explicava que um filhote de sabiá havia caído do ninho, e estava preso a uns galhos, logo abaixo, mas ainda assim muito no alto, e sob o olhar preocupado da mãe.
 – Se deixar ali ele pode cair e se esborrachar no chão, dizia um.
 – Ou anoitecendo, pode vir um gato e aproveitar para jantar, dizia outro.
E assim seguia a conversa, avaliando as possíveis consequências de deixar o filhote aonde estava, ou da conveniência de tirá-lo de lá.
Tudo isso enquanto as pessoas passavam para ir ao banco, ou à sorveteria artesanal, em frente ao Largo.
A conversa acabou se tornando momentaneamente mais interessante do que o capítulo do livro e, lógico, a minha curiosidade sobre o desenrolar da epopeia tornou-se irresistível.
Tanto discutiram que chegaram à conclusão que deveriam tirar o filhote de lá e deixá-lo numa caixa (esse foi outro ítem da discussão), num galho que possibilitasse à mãe sabiá exercer sua vigilância “anti-gatos” mais de perto.
Decisão tomada, um foi buscar uma escada, outro a caixa (devidamente forrada com algodão e algumas folhas secas apanhadas do chão), e iniciou-se o processo de “salvamento”, que atraiu mais 5 ou 6 “parceiros”, que deixaram as damas e os dominós para “palpitar” sobre as melhores técnicas para subir na árvore e mexer com o bichinho, o que durou mais uns 20 minutos.
Salvo o sabiá, todos um pouco mais felizes (principalmente eu), retornei para buscar minha mulher, certo de que havia presenciado uma raridade nesta metrópole de correria, stress, “hair salons”, mas que ainda tem lugares aonde as pessoas curtem a tarde com os amigos, debaixo das árvores de um Largo com ares interioranos, jogando damas ou salvando passarinhos...
PS – cheguei ao salão depois de 3 horas e pouco, e esperei só mais 15 minutos pela minha mulher.


Por Wilson Colocero

sábado, 6 de janeiro de 2018

Creme rinse


Numa conversa com uma amiga de Facebook, me fez lembrar de uma passagem engraçada sobre de minha infância sobre um  produto que ela estava postando, recordando. 
O sabão Rinso. Minha irmã mais velha (a que faleceu há um mês) e eu, Tínhamos cabelos compridos e o meu, particularmente, era cacheado e volumoso... 
Ouvíamos falar de uma novidade para desembaraçar os cabelos quando lavar, um tal creme rinse. 
Nós não conhecíamos o tal creme e quando alguém falava das maravilhas que o produto fazia, minha irmã e eu associamos ao Rinso (sabão em pó). Lá em nossa casa, na Rua Umuarama, na Vila Prudente, minha mãe usava este sabão... Pegamos, sorrateiramente, um punhado e lá fomos nós lavar nossos cabelos.

Ficamos horas para tirar a espuma toda que fez e os cabelos ficaram embaraçados, parecendo palha de aço... Mas ficaram limpinhos!
Levamos a maior bronca de minha mãe, que nos colocou de castigo pela arte.
Muita paz! 

Por Sonia Astrauskas

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

imagem: Teatro Cultura Artísitica - 1965
O ano preciso não sei, mas foi entre 1965 e 1966 quando eu ainda estava buscando um lugar ao sol na TV e fazia diversas figurações na TV Excelsior (precursora da TV Globo) Canal 9, no espaço do antigo Teatro Cultura Artística na Rua Nestor Pestana.
Um dia, o coordenador dos figurantes me chamou e disse que eu deveria ir à casa de ensaios na Rua da Consolação, pois estava escalado para o Teatro da Tarde.
Sem saber o que me caberia fazer, porém alegre por mais uma escalação, me dirigi à referida casa que se localizava quase em frente ao antigo prédio do Cine Odeon. La chegando busquei informações com relação à sala onde estava sendo ensaiado o programa. De posse da informação me apresentei no local e assim que abri a porta da sala senti um tremor por todo o corpo.
Emoção total. Na minha frente estavam alguns atores escalados e, pasmem, dois monstros sagrados das artes cênicas do Brasil, Dionísio Azevedo e Mauro Mendonça.
Segurei as pernas um tanto bambas e avancei dizendo que tinha sido enviado pelo Pirolé para fazer figuração no programa. O diretor (não lembro quem era) me pediu para aguardar enquanto o ensaio se desenrolava e depois falaria comigo.
Encostei-me à parede e aguardei. Ensaio findo, o referido diretor me disse que eu iria fazer uma figuração como guarda e que quando o delegado (Dionísio Azevedo) me chamasse eu deveria me aproximar da mesa dele e dizer “pronto”.
Perguntou se eu tinha entendido, eu assenti e ele me mandou aguardar por ali mesmo para ir, depois, com todo o elenco para o Teatro aonde o programa iria para o ar (na época, era ao vivo, nada de VT).
Enquanto aguardava a brincadeira entre os atores corria à solta, e eu, na minha insignificância, apenas apreciava.
A certa altura o Dionísio avisou a todos que precisava dar uma pequena saída e iria, depois, diretamente para o estúdio. Os demais continuaram por ali e, de repente, sem mais nem menos, o Mauro Mendonça me chamou e disse: “-Vamos aprontar uma brincadeira com o Dionísio, quando ele te chamar em cena, sua fala será, - Pronto Dr. Taufik. Recomendou ainda, se ele te responder estupidamente não leve em consideração. Deixa que eu me encarrego das explicações.” Concordei e calado continuei.
Toca a campainha, silêncio no estúdio, abre-se a câmara e começa a encenação.
Estava embevecido vendo o de desempenho dos meus ídolos que quase perco a deixa. Não perdi e entrei na cena falando em alto e bom som Pronto Dr. Taufik.
Mesmo maquiado percebi que o rosto do Dionísio ficou vermelho, me pareceu que estava doido para me xingar, mas não perdeu a classe, continuou a cena.
Percebi que atrás das câmaras o Mauro Mendonça se contorcia de tanto rir. Eu estava assustado, mas continuei firme e forte até minha saída de cena.
Terminado o programa o Dionísio veio em minha direção dizendo “–Quem te mandou falar daquele jeito seu...” tremi mais ainda. Então o Mauro Mendonça veio gargalhando e disse - Fui eu. Ele apenas obedeceu.
Gargalhadas gerais, apenas eu não conseguia rir, nem mesmo quando me explicaram que Taufik era o verdadeiro nome do Dionísio e que ele nunca gostou de propagar esse nome.
Mais uma vez entendi que como reza o ditado: Manda quem pode, obedece quem tem juízo...
Eu obedeci.


Por Miguel Chammas

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Memórias de um passeio



Há alguns anos, escrevi um texto relatando uma de muitas aventuras circenses. Mês passado eu e a Soninha resolvemos passar um domingo diferente. Estávamos sós, pois os jovens, aproveitando o feriadão, haviam viajado.
Não tínhamos qualquer compromisso antes das 19h00m quando iriamos encontrar a Nathalia no terminal Barra Funda, onde estaria retornando de seu passeio.
Resolvemos, então, nos dirigir para o centrão de Sampa, mais precisamente Largo Paissandu, e visitarmos a Galeria Olido em sua nova fase.
Saímos de São Bernardo do Campo por volta de 11 horas e fomos à busca de um estacionamento próximo do nosso objetivo, estacionamos na Avenida São João no local onde antigamente ficava o Cine Ritz São João, como tínhamos tempo suficiente, decidimos, antes, passar no Ponto Chic e mastigar alguma coisa, mas, para nossa surpresa o estabelecimento estava fechado. Será que não trabalha mais aos finais de semana ou foi efetivamente desativado? Não sei dizer!
Bem sem outra opção e sabendo que a Galeria só abria a partir das 13 horas, Começamos a subir a Avenida São João rumo à Praça da Republica, em busca de um local aceitável para almoçar. Decepção pura, o quarteirão da São João entre a Dom Jose de Barros e a Ipiranga, da mesma forma que o Largo Paissandu estavam detonados, sujeira por toda a parte, moradores de rua adormecidos por todas as calçadas, os prédios que compunha a Cinelândia Paulista em plena deterioração.
Cada passo que dávamos era uma nova facada em nossos corações. Concluímos que nossa Sampa não merecia este total desprestígio dos políticos e/ou gestores que sentaram e sentam na cadeira e cargo de Prefeito da maior cidade do Brasil.
Não tínhamos nem a opção de fechar os olhos para não ver a cena que se abria à nossa frente, seria por demais perigoso. Seguimos, pois nosso caminho em busca do almejado Restaurante.
Caminhamos pela Avenida Ipiranga, Praça da Republica, Rua Vieira de Carvalho que outrora eram coalhadas de bons restaurantes e.... nada!
Decidi, mesmo sabendo que teríamos um custo além do pretendido, buscar abrigo na velha casa de pasta de minha mocidade, o “Restaurante O Gato que ri” que ainda está no seu velho endereço do Largo do Arouche. Lá chegando pude constatar que era, ainda, um local de extrema qualidade e cortesia. Que servia alimentação de primeiríssima qualidade, mesmo que a preços bem mais impopulares do que antigamente.
Sentamo-nos e degustamos (pratos bem servidos, mas em porções unitárias) um agnelote à moda e uma lasanha ao forno, uma bela jarra de vinho, e doces de sobremesa. Paguei a conta (Ufa!) voltamos pelos mesmos caminhos que até lá nos levaram, tentei, ainda, fugir das cenas mais degradantes e enveredei pela Rua 24 de Maio, mas debalde, percebi que a deterioração era uma constante em todos os locais.
Enfim, chegamos à Galeria Olido, objeto de nosso passeio.
Começamos nossa expedição e de imediato entramos numa exposição de artes circenses. O sangue que corre em minhas veias tem muita serragem dos picadeiros e, imediatamente começou a ferver, tinha algum conteúdo teórico nas paredes e eu comecei a ficar preocupado. Queria mais e, insatisfeito, perguntei à recepcionista se havia mais alguma coisa para ser vista ela, muito simpática, explicou que no primeiro andar estavam as melhores memorias dos circos.
Fomos para o primeiro andar. Um espaço muito maior e bem utilizado. De frente à escada de acesso as primeiras emoções, as maquetes de dois circos se escancaram à nossa frente, a primeira de um circo fictício, mas a segunda cutucou, de verdade, as minhas recordações. Ali estava, em toda a sua plenitude, o famoso Circo Garcia tantas memorias e objeto primeiro desta crônica.
Muitas lembranças maravilhosas foram surgindo à nossa frente, estórias de vida dos palhaços mais famosos (tirei, inclusive, uma foto ao lado do meu ídolo PIOLIM), espaço para que fosse experimentada a emoção de atravessar, sem qualquer risco, o Largo Paissandu utilizando uma corda. A Sonia adorou a ideia e tirou várias fotos.
A estória e pertences de antigos palhaços foi sendo apresentada e curtida com muita emoção. Enfim, estava validada a nossa incursão. No andar superior outra exposição serviu para que a Soninha extravasasse suas peraltices e tirasse várias fotos no espaço com o piso coberto com papelão e onde o uso do sapato era proibido. Novamente a Soninha adorou a proposta “deitando, rolando e fotografando” nesse espaço.
Saímos do museu e continuamos o passeio. O cinema não pudemos visitar, uma sessão estava em andamento e a próxima sessão, por culpa do horário, não nos seria possível esperar.   
Fomos, então, xeretear no espaço “vitrine da dança” e vimos um local de muito som (exasperadamente monótono e repetitivo) onde pessoas se retorciam ao ritmo do hip hop. É um espaço livre, que considerei bastante democrático, mesmo não me agradando o tipo de som executado. Como sou oriundo dos velhos salões de baile, me agradou muito a performance de vários habitues do espaço. Em ultima análise, gostei do que vi por ali, mas dificilmente voltaria ao local.
Bem, terminamos o passeio e fomos ao alcance de nosso carro. Passeio bastante agradável.
Cheguei até aqui e percebi que o motivo que havia me levado a escrever sequer foi descrito, provando, mais uma vez, que o rabiscador não tem o domínio do que rabisca, os dedos são determinantes ao digitar o teclado. Não faz mal, prometo que escreverei sobre o tema principal no próximo rabisco.
Ate lá então...

Por Miguel Chammas


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A estadia cardinalícia.



Toda manhã, quando vou para a vidraça, a primeira coisa que se vê é o capuchinho vermelho de Sua Eminência, assentado numa cadeira ou na mesa de jardim.

É o primeiro da fila para ganhar quirera, que distribuo em seguida. Enquanto as rolinhas ficam se perseguindo, e agitando os leques das asas para afastar as outras, o Cardeal permanece indiferente a elas, na sua postura majestática. Surge como se fosse o Papa, na Praça do Vaticano. Certamente fugido de alguma gaiola, destaca-se por suas cores da multidão plebeia.

E faz mais de uma visita diária ao nosso jardinzinho de nossa casa no Brooklin. Por algum motivo, desde que apareceu, dedicou sua afeição a esta casa, e deve ter feito ninho aqui perto. Uma vez, até chegou a adentrar nossa sala, ficando nos altos da vidraça, sem saber sair. Meu filho apanhou-o gentilmente, conferiu sua aparência e soltou-o.

No dia seguinte estava de volta, em nada afetado pelo incidente. Espero mesmo que tenha gostado de seus aposentos e que nos dê, para sempre, a honra de sua ilustre visita, distribuindo bênçãos a todos nós, que estamos sempre necessitados.


Por Luiz Saidenberg

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Palavras de Modesto Laruccia

https://youtu.be/GLyHoxgTQtc 

imagens lembranças dos momentos do encontro, usando um aplicativo teste, pois não existe miais o movie maker. Muita paz! 

Prezados amigos:

Na plenitude de nossa condições, relativas à nossa idade, quero descrever um sentimento sem obliterar a realidade presente em nossas vidas. 
Sabemos todos que os anos que desfrutamos em nossa atividades como colaboradores do msite São Paulo Minha Cidade – SPMC – há mais de 10 anos, tivemos um encontro não marcado, ao desfrutarmos dos textos de cada um de nós, na expectativa de semre conhecer diferentes perfis e ocorrências.
Amalgamados em nossas atividades, sentimos que, em cada texto apresentado, dávamos um passo a mais em nosso caminho cujo destino era – e ainda é – conhecermo-nos pessoalmente. Nas rodadas anteriores, com raras exceções, pudemos, paulatinamente, ter este prazer realizado, chegando ao ápice de  de termos conhecimento de intimidades, sempre dentro da mais restrita obediência às normas dos bons relacionamentos. 
Porém, quis o destino, implacável nas mãos de desinteressados, interromper essa primorosa, despretensiosa, agradável e encantadora lúdica espiritual, para dultos.
Amigos, essa reunião não foi organizada para queixumes e lamentos, mas sim, para um grande abraço e, voltados cada um de nós, a satisfação de nos vermos mais uma vez, lamentando os ausentes e sem desmerecer os presentes.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo de 2018.

Por Modesto Laruccia

sábado, 18 de novembro de 2017

A visita de Sua Eminência


Somos pessoas modestas, não se importando muito com a pompa e a circunstância. Também nunca fui muito chegado a religiões, portanto muito me surpreendeu- e a todos nós- a visita de Sua Eminência ao nosso jardim, de nossa casa no Brooklin.

Um Cardeal, a cabecinha vermelha contrastando com o branco do corpo e o escuro das asas. Estamos acostumados com a visita diária de pássaros. Como deixamos sempre uma tigela de frutas suspensa no ipê, e uma travessa de quirera no chão para as rolinhas, temos sempre um festival matinal de aves disputando a comida. Cambacicas, sabiás- agora mesmo apareceu uma mãe sabiá com dois filhotes-sanhaços, bentevís, rolinhas, periquitos em grande número.

Uma vez apareceu até um canário belga. Escrevi sobre ele. Mansinho, fugido de alguma gaiola, deixou-se apanhar e soltou por dias seu deslumbrante trinado pela casa toda, antes que o doássemos para uma instituição protetora.

Nosso Cardeal- acho que já posso chamá-lo assim, pois há dois dias que nos dá a honra de sua augusta  presença no jardim, disputando pacificamente a comida com os outros pássaros- também parece ter fugido de gaiola, pois nunca havia visto um neste bairro, pródigo em espécimes voadores, incluindo joãos de barro, pica paus e outros. Mas de bobo nada tem, e tem se virado muito bem sozinho.


Pois que seja abençoada- e que ele também possa nos abençoar, com sua autoridade clerical- sua estadia nesta casa, à qual parece ter se afeiçoado. Como o sabiá Plínio, o Jovem-pois era só um filhote grudado às penas da mãe, quando apareceu aqui pela primeira vez, e creio, nunca deixou de frequentar nosso ipê. Olhai as aves do céu, que não plantam nem colhem, mas com sua presença vêm trazer um pouco mais de alegria e esperança em nossas vidas.

Por Luiz Saidenberg

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Pra ver a banda passar

Imagem: carnaval da Av. Tiradentes, antes do Sambódromo

Não sou de Carnaval. Fora os bailes da infância, a que íamos levados pelos pais, em clubes locais, regados a lança perfume, confete e serpentina, fora o desfile que víamos da sacada do Clube Cultura Artística, em Campinas, com bumba meu bois e fanfarra, a folia coletiva nunca me entusiasmou.
Fora os dois anos que passamos no Rio de Janeiro, - e ali não se pode escapar aos ritos de Momo- dos grandes desfiles de blocos não oficiais na Av. Rio Branco até um humilde bando de moradores descendo, com bateria e muita ginga a R. Jardim Botânico, um senhor já idoso sem camisa e sacudindo a pança num ritmo insensato, totalmente fora deste também pouco sensato mundo. Depara-se com a folia a cada esquina. Pura, espontânea, pouco tendo a ver com os milionários desfiles globelezais da Marquês de Sapucaí.
Mas, como disse, não entendo esta louca alegria generalizada , a multidão desvairada. Minhas alegrias e paixões, embora intensas, relacionam-se muito mais com experiências pessoais, mais íntimas.
Nos anos em que tivemos casa no litoral, íamos para lá, sem nada ver ou ouvir de Carnaval, e voltávamos após a folia acabada. Nada de desfiles de grandes escolas, siliconadas cabrochas de destaque, porta estandartes e mestres salas. Até hoje é assim, e o famoso Carnaval apenas uma ilusão estranha e distante. Costumava dizer que, para mim, Carnaval é todo dia. A festa iniciando-se toda manhã e só extinguindo-se à noite.
Agora, nem mais ao litoral vamos; multidões de carros descendo a serra, sujeitos a arrastões e horas de congestionamento, para encontrar lá embaixo a continuação desse tumulto insano. O mesmo aconteceu este ano. Enquanto a farra explodia nos sambódromos, ficamos por aqui mesmo, em São Paulo, recolhidos, fazendo nossos passeios pelo bosque vizinho, vendo um bom filme à tarde.
Foi então que a banda passou. Pelo bairro calmo, em parte deserto pela ausência dos moradores viajantes, na tarde do sábado. Estridente, alegre, mas podia-se adivinhar que modesta, humilde, simples, inocente em suas raízes.
A alegria espontânea, como nos velhos tempos. Saí do sossego do lar para conferir. Na rua de trás, umas poucas dezenas de pessoas, todas locais, mães com crianças, alguns fantasiados modestamente, um ou outro mascarado, e a bandinha, a “furiosa”, como já se disse, tocando furiosamente. Um dos foliões ostentando um estandarte verde, no qual se lia Brooklyn.
Em plena rua, toda coberta de confete e serpentina, surpreendendo com sua alegria os poucos motoristas que passavam. E aí sim, as emoções que não senti nos Carnavais passados reclamaram sua quota. Uma banda passando.
No bairro tranquilo, na rua deserta, na tarde morta, com nuvens ameaçadoras de chuva como pano de fundo. Não era alucinação: eu vi mesmo a banda passar, tocando coisas de amor. Nem tudo está perdido, neste mundo.


Por Luiz Saidenberg

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Hoje completo bodas de prata

O texto foi escrito em 23/10/2017

Tal qual o dia de hoje, era 23 de outubro.

ACORDEI  MAIS CEDO DO QUE O NECESSÁRIO, tamanha ansiedade. Era o primeiro dia do meu primeiro emprego.
Cheguei quase uma hora antes do horário de entrada e fiquei por ali, nos jardins do Parque São Jorge, sede do Sport Club Corinthians Paulista.
Este foi o início de uma história que hoje completa 25 anos. Pensei sobre o que escrever para expressar algum sentimento relacionado a uma data marcante como esta, pensei em contar detalhes apenas deste primeiro dia começando pela rotina matinal que teve início ali com a minha Mãe, preparando o café da manhã, fazendo companhia enquanto me preparava para sair de casa e assistindo um quadro no telejornal sobre flores. Eu gostava de acompanhar com ela este quadro, mesmo não entendendo absolutamente nada sobre as flores. Achei interessante perceber que, neste aspecto as coisas ainda continuam como antes, o quadro no telejornal ainda existe e eu continuo não entendendo nada de flores. 
Ah..., minha mãe não prepara mais o meu café, mas é só um detalhe, pois tenho isso presente comigo da mesma maneira.
Também pensei em detalhar a experiência de um jovem de 18 anos que acabara de passar pela dificuldade tradicional (não sei se isso ainda ocorre hoje) da escassez de oferta de trabalho para os jovens em período de alistamento militar, e que encontrou uma oportunidade, mas precisaria fazer um sacrifício, e fez.
O sacrifício que menciono foi o fato de que, para ter este primeiro emprego eu precisaria abrir mão de algo valioso para todos, que é o tempo. Eu aceitei uma jornada de trabalho de terça até domingo em horário comercial, com folgas somente às segundas.
Alguém sabe como é para um jovem desta idade, deixar de acompanhar sua família, sua galera em vários momentos nos finais de semana, por conta do trabalho? Eu sei.
Este primeiro emprego durou aproximadamente 14 anos então, imaginem quantas histórias eu tenho para contar, incluindo a experiência sem igual que foi dividir 12 destes 14 anos com meu Pai. 
Isso mesmo, fomos colegas de trabalho. Eu nem vou tentar dizer nada sobre isso, pois não vou encontrar palavras. Agradeço por um destino que me reservou 12 anos nesta experiência.
Tal qual, com relação a minha Mãe, as experiências com meu Pai não mais se repetem na forma, mas todas continuam presentes comigo da mesma maneira.
Foram 14 anos no Sport Club Corinthians Paulista, tantas vivências e tantas pessoas. Carrego tudo comigo com uma riqueza de detalhes que surpreenderia, caso colocasse isso em um texto. Não vou citar nomes, pois não quero deixar de mencionar ninguém, mas sei que todos se reconhecerão aqui.

Dali, segui para outras valiosas experiências, convivendo com diversas pessoas e circunstâncias que me trouxeram até o dia de hoje, 25 anos após o início de minha vida profissional.
Ninguém me fez essa pergunta, mas se algum jovem me perguntasse qual minha sugestão para quem está no início de uma trajetória profissional eu recomendaria apenas três coisas:
- RESPEITE-SE,

- IDENTIFIQUE O PROPÓSITO EM SUA VIDA, e 
- REALIZE.

De tudo que poderia mencionar sobre o que sinto ao completar esta estrada o que mais se destaca e chama a minha atenção não está necessariamente neste longo passado, mas está no futuro.
Tenho hoje a sensação de que estou começando uma história, e isso me deixa muito feliz, pois não penso que estou completando 25 anos de uma experiência que vai durar mais alguns, eu penso que estou iniciando exatamente agora uma trajetória que vai durar o tempo que for, mas será escrita por alguém que não tem os mesmos 18 anos, mas tem o mesmo entusiasmo daquele jovem que ACORDOU MAIS CEDO DO QUE O NECESSÁRIO, em 23 de outubro de 1992.
Obrigado pelo seu tempo.

Por Alex Brito

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Memórias de um Professhow


Texto em escrito em 15/10/2017 - imagem Escola Técnica Frederico Ozanam

(Hoje, 15 de outubro de 2017, dia do Professor, minha memória resolveu dar sinal de vida e eu registrei mais este causo.)
O ano, se meus poucos neurônios me ajudaram, foi de 1965 , o cenário principal foi o auditório do Colégio Porto Seguro, instalado na Rua Gravataí quase esquina com a Praça Franklin Roosevelt onde, no número 123, ficava a famosa Escola Técnica de Comercio Frederico Ozanam, onde iniciei meus estudos no ano da graça do Senhor de... bem deixa para lá esse detalhe.
Nosso grupo teatral, onde eu era o diretor, coordenador e participante, tinha resolvido, no início do segundo semestre, preparar um show e homenagear os professores daquela instituição de ensino. Decidido o evento, colocamos em prática os trabalhos para sua efetiva realização.
O GATO (Grupo Amador de Teatro Ozanam) tinha um grande número de participantes (atores e atrizes), entre eles, já pedindo desculpas pelo possível esquecimento de alguns, o grande parceiro Romualdo Henrique Lancelote Strichalsky, o Guilherme Carlos Graziano, o Itamar, os irmãos Adilson e Hamilton Furlaneto, o Arnaldo Mathias Seraphim (Bolão para os íntimos), os Jograis de São Paulo formado por Helyon Gianpaolo Pasquini, Fernando Martins Pizo, Roberto Sergio Chammas Cardoso,  Marcos Henrique Magalhães Giacomo, Brilhante, Jose Rosa, e dos futuro integrante Edison Alexandre, o Sebastião, as irmãs Juçara e Jurema, a Maria Aparecida dos Santos Lima (depois Chammas),  as irmãs Elizabeth e Cinira, Fernando Fernandes, Jose Provetti (que levou o apelido de Gato para a Jovem Guarda) Tinha o GATO também os seus agregados auxiliares que, mesmo não entrando em cena, ajudavam demais todas as nossas atividades, entre eles eu destacaria Edson Gomes, os irmãos Durval e Mario Paulo Galacini, José Carlos Munhoz Navarro, o Jose Mari Ferreira, Newton Rubem Caggiano, Walter Cozzolino,o velho e eterno Waldemar Vieira.
O programa era de esquetes humorísticos, poesias, cantorias tudo costurado com muito amor e alegria.
Os professores homenageados disseram “presente” na hora da chamada. Lá estavam o prof. Marcelino, o prof. Benevides, o prof. Vinicius, o prof. Cipriano, o prof. Pascoal, o prof. Ytiro, o prof. Youssef, a prof.  Clarice, a prof. Doracy, o prof. Donato, o prof. Zacharias, o prof. Wolf, o prof. Ferré, o futuro prof. Scarlato, a prof. Cecilia, A PROF. Maria Jose, o prof. Argemiro, o prof.  Cicero o prof. Ribeiro, o prof. Jurandyr,  o Prof. Negrão, e todos os demais que meus neurônios não conseguiram recuperar.
O show, como acontecia sempre, foi bombástico. Os professores homenageados ficaram bastante emocionados e abraçaram a todos os participantes. Eu que havia escrito os esquetes, definido o roteiro e encabeçado a direção, novamente estava radiante embora bastante cansado.

Tarde gloriosa que até hoje vive na minha memória e, tenho certeza, de todos que dela participaram. Muito bom ter um passado e memorizar. Esta lembrança dedico a todos que ainda vivem neste plano e aos que já estão na espiritualidade.

Por Miguel Chammas

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Apenas um quarteirão


São Paulo é um macrocosmo. Uma galáxia em expansão desordenada e incontrolável. Formada de incontáveis universos, subdivisíveis em milhões de microcosmos e microcosmos.
Podemos nos deter para observar alguns deles. Podemos limitar uma região, uma zona, um bairro, uma rua, até uma casa e sempre será fascinante. Detenhamo-nos sobre essa imensa praia, para apanhar alguns dos grãos da infinita areia.
Desta vez ficarei com um quarteirão, uma quadra apenas do Brooklin, que muitas vezes me chamou a atenção. Logo após a esquina, uma bem sucedida loja de chocolates finos. 
Mas, logo a seguir, uma estranha casa em violento contraste. Era feia e mal reformada, e até parece ter sido invadida. Repentinamente surgiram ali, do nada, uns latinos, barbados e mal ajambrados, como vindos da Revolução Cubana. Creio que são bolivianos, ou de outro país subdesenvolvido.
Instalaram-se ali muito à vontade, espalhando pela calçada e em frente a ela uns móveis destrambelhados, nos quais por vezes se escarrapacham. O tema principal seria reforma de estofados, mas faz-se de tudo um pouco: eletricidade, encanamento, o que pintar.
Condoída, minha mulher passou-lhes um velho pufe, todo arranhado de gato, para revestir. Prometeram o serviço para a semana seguinte, mas nada foi feito. 
–Deixa pra lá, disse eu, o pufe estava mesmo muito feio. Mas, ao saber que ela tinha dado um adiantamento, fui lá cobrar. Soltei meu espanhol com o que pareceu ser o chefe deles, e, si, señor, por cierto que si, como no, prometeu-me o serviço para poucas horas.
E cumpriu, mas depois vimos que o courvin era de má qualidade, rasgando-se facilmente. Saltemos para a casa seguinte: também muito decadente, que parece ser de uns velhos japoneses. No jardim, dois fuscas condizentes: velhos, encardidos, brancos e absolutamente iguais.
Logo a seguir, o que foi a tentativa de ser um restaurante. 
Um espaço verde, no qual foi colocado um cartaz com a cara do Sr. Madruga, o que por si bastaria para afugentar os clientes. Durante uns dois dias ficaram por ali umas moças distribuindo prospectos, mas creio que o restaurante não sobreviveu a esses dois dias. Tentaram então transformá-lo em bar de Happy Hour, mas nada de happy ocorreu ali, e fechou. 
Sobrou a carantonha de Madruga, assombrando o local, até hoje.
Depois de uma loja de utilidades domésticas, chegamos então à Cidade Proibida. Um mistério, que começou como loja de louças e estatuetas chinesas, bonitas e baratas. Compramos até dois potes, pois tudo na China é feito em duplas.
Logo transformou-se, cerrando-se dentro de altos muros, como a Muralha da China. Quase nunca se via ninguém, mas passaram a estacionar defronte carrões: BMW, Audis, Mercedes, Porsche Panamera. Deles, de vez em quando via-se sair um chinês.
O andar superior ampliou-se, tornando-se quase um pagode. Certa vez vi um guarda no porão, tão blindado como tivesse chegado da Guerra do Golfo. Grande, forte, feroz, todo de negro, colete à prova de balas, metralhadora. De outra, vi pelo portão entreaberto, rara ocasião, a placa de um banco desconhecido. Mas qual? De quê?  Não se vê vivalma entrar, nem sair. 
Tão misterioso como um antro de ópio do Dr. Fu Manchu, de Sax Rohmer. Eu é que não vou bater lá, para saber.
Pois é, só um quarteirão. Poucos metros. E contrastes e enigmas, como rotina de um bairro, de uma rua. Somente alguns do grande caos que é nossa cidade.


Por Luiz Saidenberg

domingo, 15 de outubro de 2017

Comemorando a data


Pensando nesta data de 15 de outubro em que se comemora o dia do Professor, remeti-me ao passado e às minhas lembranças de 1969. Neste ano, eu e minha turma recebemos nossos títulos de professores primários, expedidos pelo Instituto de Educação Estadual Nossa Senhora da Penha, e que nos davam licença para ensinarmos da 1ª à 4ª série do 1º grau e nas classes de pré-escola, que, naquela época, eram raras dentro de uma Unidade Escolar. Estávamos também preparados para prestarmos concursos públicos e assim iniciarmos nossa árdua, mas maravilhosa, carreira. Era assim que eu a via.
Tivemos excelentes professores que nos passavam através de seus relatos, além do conhecimento básico que devíamos receber, a dificuldade de permanecer no magistério e seguir carreira, a importância de trabalhar com “dedicação e amor” e que estes deveriam ser os eternos dizeres da nossa bandeira e guiadora dos nossos caminhos. Hoje sei como isso foi importante e pesou nas minhas tomadas de decisões.
Hoje, depois de mais 40 anos de vivência, posso afirmar com segurança que nunca me arrependi da escolha que fiz. Pude continuar meus estudos, me aprimorei, ganhei outros títulos, prestei concursos e outras conquistas obtive dentro do magistério, das quais sempre me orgulharei. Na minha caminhada e dando continuidade aos meus estudos, aprendi um pouco mais sobre as grandezas e misérias da educação brasileira. Hoje sei que a nossa educação não anda bem e outras grandezas e misérias surgiram agravando os problemas não resolvidos no passado. O tempo passou e foram tantas modificações e tantos desencontros que é notório que algo se perdeu pelo caminho.
Bem, como otimista e esperançosa, acredito que ainda vamos ter a tão sonhada educação de qualidade e para todos, norte e sul, leste e oeste, do nosso imenso Brasil.
E para não dizer só dos espinhos, atualmente tenho encontrado ex-alunos formados engenheiros, advogados, médicos, físicos, pedagogos e outros que são professores de diversas áreas de ensino. E outros ainda não menos importantes, mas em profissões diversas como, artistas, técnicos, motoristas, secretários e etc. E esses são os motivos que me orgulham de ter sido e ser uma professora!
Voltando para 1969, lembro que éramos mais ou menos 100 formandos, um grupo grande, forte, amado, unido e certo das responsabilidades futuras. Não sei se todas continuaram no magistério, mas eu, Edna, Maria Alice, Marilisse e Maria Helena, éramos amigas inseparáveis e aprontamos muito durante todo o curso e a nossa amizade continua até hoje, exceto uma delas que já faz muito tempo que não temos mais notícias. Todas optaram por continuar no magistério e quase todas já se aposentaram e merecidamente.
Então nesta data, quero desejar à minhas amigas inseparáveis que deram duro todos estes anos e a todos professores que optaram pela maravilhosa carreira e que estão frente a sala de aula, que lidam na constância do ensinar X aprender, ousando modificar , meus parabéns! Meu agradecimento e todo respeito e carinho!


Por Maragaria Peramezza

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Pacaembu


Este texto escrevi em 27/04/2010 por ocasião dos 70 anos do Pacaembu

A caminho do trabalho, sempre fico ouvindo o rádio para saber sobre as novidades, que não são muitas. Hoje, na rádio Bandeirantes, logo cedinho, falava-se sobre os 70 anos do estádio Paulo Machado de Carvalho, o conhecidíssimo Pacaembu, de Sampa, inaugurado em 27 de Abril de 1940.
Orgulhosa, fui ouvindo sua história que se misturava à história de meu avô materno, filho de imigrantes italianos e louco por futebol e à de meu amado pai, mineiro vindo ainda adolescente para São Paulo e que, igualmente, adorava futebol.
Ao longo da Rodovia dos Imigrantes, fui ouvindo o locutor e me lembrando de quando meu pai e meu avô contavam sobre o feito maravilhoso.
A televisão, rádio, internet e jornais estão repletos de detalhes sobre tão importante monumento que é o Pacaembu, mas, em minha memória os detalhes eram especiais, pois eu via os olhos expressivos de meus amados pai e avô contando-nos como havia sido, quais as dificuldades e, ainda, sobre a rodada dupla que teve no dia seguinte ao da inauguração.
Indignado, meu avô relatava sobre a maneira desrespeitosa, segundo ele, do público receber sob vaias o então Presidente da República, Sr. Getúlio Vargas, que foi assistir ao desfile e outras homenagens da inauguração, juntamente com Ademar de Barros e Prestes Maia, respectivamente governador e prefeito da época.
Os famosos jogos da estréia, sendo o primeiro Palestra Itália contra Sport Coritiba, Sport abrindo o placar com o gol de Zequinha, mas o jogo finalizou com o placar de 6 a 2 para o Palestra, sendo este o atual Palmeiras, clube que mais comemorou títulos no Pacaembu.. O Segundo jogo, a convite da prefeitura da cidade de São Paulo, Corinthians e Atlético Mineiro, com o placar de 4 a 2 para o Corinthians, contava-nos meu amado pai, cheio de orgulho de seu time do coração.
Por 10 anos o Pacaembu foi o maior estádio da América do Sul, perdendo seu posto para o Maracanã, em 1950.
Pacaembu foi a base de muitos jogos importantes da seleção brasileira de futebol e por longo tempo foi o local oficial de jogos nacionais e internacionais, deixando de ser sede obrigatória depois a inauguração do Morumbi, em 1960.
Ícone importante de São Paulo, recebeu inúmeras estrelas de nosso futebol, além de tantos outras estrelas internacionais. Foi uma das principais sedes dos jogos Panamericanos de 1963.
Suportou as mazelas do tempo, passou por profundas mudanças, entre elas a derrubada da concha acústica e a construção do tobogã atrás do gol à direita das cabines de imprensa.
Pacaembu orgulha-se, também, de ser um dos maiores divulgadores para o país do talento do garoto magrinho que usava a camisa branca do Santos, Pelé, que tem números impressionantes no estádio do Pacaembu. Em 119 jogos marcou 115 gols.
Hoje é atual casa do Corinthians, o Pacaembu também sedia, anualmente, a final da Copa São Paulo de Juniores, sempre no dia do aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de Janeiro.
Sei que meu amado pai e meu querido avô sentir-se-iam orgulhosos por ver o Pacaembu como um dos principais pontos turísticos da cidade de São Paulo, com a inauguração, em 2008, do Museu do Futebol em suas dependências.
Em seu aniversário de 70 anos, o Pacaembu ganha um importante presente que é ser palco da finalíssima do campeonato Paulista-2010.
Parabéns, Pacaembu. Parabéns, São Paulo. Parabéns, Brasil.


Por Sonia Astrauskas

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Uma igreja do passado


Existem memórias teimosas, que persistem em nossa mente. Não ocorrem frequentemente, mas quando passamos por certo lugar, elas reaparecem. Uma marca do passado, reavivada de passagem. Foi assim com aquela igreja.
Devia ser uma igreja muito marcante, para se fixar assim na memória. 
Como e porque? Foi na infância. Creio que vínhamos de Campinas pela Viação Cometa, e, na subida da Lapa de Baixo, havia uma agenciazinha, talvez um ponto de parada dos ônibus.
Toda vez que ali passei lembrava  disto, apesar de não compreender porque parávamos ali. Vínhamos pela velha Via Anhanguera, e ao chegar a São Paulo já começava a acontecer o extraordinário. Não sei como, o ônibus vinha pela Av. Raimundo Pereira de Magalhães, após o Tietê. Já era estranho, como é, até hoje. Depois de um trecho meio descampado, entrava em São Paulo... Pela porta dos fundos!
Uma passagem estreita, sob os trilhos da estrada de ferro, cercada de pedras tomadas de húmus e trepadeiras, como a entrada de uma caverna. Passagem para um só veículo, então era... E assim ainda é necessário esperar o semáforo abrir.
Calma, já estamos perto da tal igreja. Parava-se na tal agência de ônibus, e com direito a uma circulada pelas redondezas. Foi aí que avistei a igreja, que mais me pareceu um pagode, tão diferentes eram suas formas.
Passaram-se décadas, mas eu me questionava: ainda existiria? Toda vez que por ali passava, o que acontecia raramente, lembrava-me de quando a vi, de longe, e tentava vislumbrá-la. Mas, que nada.
Foi aí que Ana Maria Mortari postou sua foto, no Facebook. Reconheci-a de imediato, após talvez mais de sessenta anos passados. E tratei de pesquisar; era, antigamente, a Igreja Húngara, daí o inusitado de suas torres, com seus toques de castelo da Transilvânia, dos Montes Cárpatos, da Mongólia, sei lá. Por isto havia pensado, na primeira vez, num pagode chinês.
Como não podia deixar de ser, fui visitá-la no aniversário da cidade. De longe, seus ângulos agudos cortavam o espaço vazio, em nada se parecendo com o resto da vizinhança, que por sinal, acho que não mudou muito também, desde minha infância. Era isto que tanto me impressionou. Esses cortes bruscos, combinados com uma varanda de madeira e um galo no alto de uma das torres são mesmo notáveis, embora a igreja seja bastante pequena e simples.
Atualmente, é Igreja Presbiteriana Independente, e se mantém ativa, com uma série de ações beneficentes. Aí está, mais um mistério de São Paulo resolvido, e graças à Internet, que colocou todos à nossa disposição. É só pesquisar e lá vem essa igreja, o Cine Santa Cecilia, a Mansão Mormanno. 
De Volta Para o Passado, outra vez.


Por Luiz Saidenberg